Você às vezes tem dúvida, tem medo, não sabe o que fazer? Bem vindo à condição humana. E bem vindo também ao clube dos que têm coragem suficiente de admitir para si mesmos que vivem momentos de infelicidade e de angústia. (Às vezes, admitir o sofrimento para nós próprios, de verdade, sem enganos, é muito mais difícil do que confessá-lo para os outros.)
Mas não esqueça: o fato de você estar em dúvida em relação ao caminho que está trilhando não significa necessariamente que você está perdido. Você está se formando ou acabou de se formar numa das melhores faculdades de administração ou de marketing ou de economia ou de engenharia do país. Ótimo. Saiba, primeiro que tudo, que nossas experiências sempre valem, sempre somam, mesmo quando não tem ou deixam de ter aplicabilidade prática — caso você queira mudar o rumo e fazer outra coisa. Saiba, portanto, que não somos escravos das conquistas que já realizamos. Podemos abrir mão delas em nome de novas conquistas. Em outros campos.
Como saber se você está no caminho certo? Bem, faz sentido começar com uma pergunta: o que o levou a trilhar o caminho que o trouxe até aqui? Esse é um questionamento importante que você deve se fazer. Sugestão do pai? Pressão da família? Escolha sua? Enfim: por que isso e não aquilo? Essa resposta poderá lhe ajudar a enxergar o que de fato você quer e gosta de fazer, o que de fato lhe interessa daqui para frente, o que lhe traz felicidade. Isso lhe ajudará também a enxergar as funções e atividades que não lhe atraem, que não lhe agregam um sorriso sequer. E então descarte-as sem dó.
Outra pergunta que faz sentido se fazer: que tipo de atividade você faria se não lhe pagassem nada por isso? Opa. Eis aí o seu Norte. Ou uma bela pista para chegar a ele. Mergulhe dentro de você e só volte de lá quando se encontrar de verdade. Esqueça a expectativa dos outros, a sua própria autoimagem como profissional. Esqueça a grana, os benefícios, o status, a promessa de estabilidade. Esqueça o encarreiramento, os louros que angariou até aqui. Por um momento, pense só no seu coração. Descubra onde ele bate. Então você terá descoberto o que realmente lhe faz ficar contente e orgulhoso e realizado profissionalmente. Aí é só avançar por esse caminho e construir a sua carreira nessa direção.
Obrigado, Futura Administradora, por sua mensagem e pela questão que você nos envia.
Você estabelece duas premissas no seu raciocínio e vale a pena focarmos em ambas.
Você afirma que quanto mais o funcionário se doa, menos a empresa reconhece. Isso pode ser verdade em algumas empresas e em algumas situações. (Afinal, vivemos num mundo multifacetado e há empresas e situações de todo tipo, não?) Mas não é verdade que seja sempre assim nem que isso aconteça como regra em todas as companhias. Há várias empresas que costumam premiar muito bem o esforço empreendido pelo funcionário. Nessas companhias, as metas são ousadas mas a recompensa também costuma ser muito atraente. Fique atenta, portanto, a esse aspecto. Há funcionários que preferem ganhar menos mas trabalhar com menos afinco também. E há gente que, ao contrário, gosta de desafios puxados e espera ter uma compensação agressiva também. Veja em que time você prefere jogar e seja feliz. (Se você for do segundo time, e tiver energia e ambição na bagagem, não deixe de contatar a Ambev. O Programa Trainee Ambev 2012 está com as inscrições abertas e serve para isso mesmo.)
Outra premissa que você coloca é que os chefes são indiferentes à situação dos funcionários e só pensam em si mesmos. De novo, esse tipo de relação hierárquica pode até existir — mas está longe de ser a regra entre as melhores empresas do mercado. Aliás, procure lembrar que o chefe é a figura mais importante em sua carreira. Um bom chefe catapulta os talentos que gere. Um mau chefe os embota. Escolha bem. E seja muito feliz.
José, muito obrigado por nos frequentar e por deixar uma pergunta na Plataforma Trainee Ambev.
Pode ter certeza: um curso de trainee é uma excelente porta de entrada no mercado de trabalho. Por várias razões:
1. É uma ótima maneira de você conhecer a empresa e de a empresa conhecer você. Talvez não exista melhor programa de integração do que um bom curso de trainees.
2. Você vai adquirir experiência em diversas áreas, trabalhando com diversos executivos. Isso lhe trará uma visão muito rica do funcionamento da companhia. E esses contatos poderão se transformar em amigos e em mentores para a vida toda.
3. Você vai se descobrir. Ao experimentar várias situações e ambientes distintos, e ao se experimentar diante deles, você terá uma noção muito melhor e mais clara do que quer e do que não quer fazer.
4. É o caminho mais rápido para uma contratação no lugar certo — seja ele uma gerência ou uma supervisão ou uma coordenação naquele departamento onde você mais vai render e onde será mais feliz.
5. Mesmo que você não siga na empresa, essa será uma experiência que você levará com você e que será certamente muito útil em seus novos caminhos profissionais.
Você acelera por anos a fio. Você virou um caxias, um baita CDF. Você se impõe o tribalium. Há anos que você corre em ritmo agudo. Você batalha desde a Faculdade. Talvez tenha até mudado de cidade e ralado no ambiente novo, longe do feijãozinho da mamãe. Mas você havia decidido que queria se dar bem na vida. Havia muita coisa que você não tinha e queria ter. Então você baixou a cabeça e enfiou o pé lá embaixo. Então você se lançou com todas as forças na direção daquilo que lhe parecia um bom caminho para as conquistas que queria realizar na vida.
Agora você está chegando lá. Mora numa cidade interessante e cheia de possibilidades, está conectado às melhores oportunidades de trabalho do mercado, mora num bairro de classe média, dirige seu próprio carro, come fora com frequência. Daqui a uns anos você já poderia estar brindando com uma boa champanhe o sucesso do seu plano de vida e de carreira. Você fará isso? Provavelmente não.
Como acontece por aí nas melhores famílias, a gripe está passando e é provável que você vá continuar tomando os remédios. Se você subiu vinte andares, por que não subir mais vinte? Se a carreira de verdade só dura uns 30 anos, por que se poupar? Por estratégia ou por vício, por atitude ou por inércia, é provável que você continue acelerando. Afinal, há sempre outras coisas a conquistar. Tem sempre um monte de coisas que você ainda deseja. Primeiro, é comprar um casa. Depois, a luta é em nome dos filhos. Mais tarde, o santo graal vira garantir uma aposentadoria e uma velhice tranquilas. E aí você não para nunca. Há sempre uma causa nobre justificando o vício que você adquiriu de viver a 180 Km/h, de queimar óleo permanentemente.
Talvez um dia você descubra que está na hora de desacelerar. Que já é tempo de fazer mais daquilo que você gosta, de ser mais feliz no minuto a minuto, a cada nova hora que passa. Talvez um dia você recuse o esquema de se arrebentar cotidianamente em nome de uma conquista futura, de um pote de ouro colocado lá na frente, no fim do arco íris. Ou não.
Semana passada falamos aqui de autoconhecimento. Da importância de olhar para dentro de si mesmo para encontrar as melhores respostas para os seus questionamentos. Nesse caminho de se conhecer mais e melhor, de encarar a si mesmo de verdade, de se assumir, para o bem ou para o mal, saiba que morar um tempo fora do país costuma ajudar. E muito. Se você já o fez, sabe do que estou falando. Se ainda não teve a oportunidade, crie a oportunidade. Pode ser trabalhando no exterior, preferencialmente na sua área. (Mas fora dela também funciona.) Pode ser estudando, preferencialmente num curso de pós graduação. (Mas o estudo de uma língua já é desculpa mais do que suficiente para ir.) Nada faz tão bem quanto uma experiência assim. Para amadurecer, para virar adulto, contando somente consigo, sem depender de pai e mãe, botando a cara no mundo de verdade, correndo riscos e arcando com eles, de modo a virar um indivíduo autônomo, independente e que sabe se virar. Vá atrás de você, de se encontrar. Perdido em outro país, imerso numa outra cultura — as condições perfeitas para uma jornada íntima, de experimentações, de assunção de responsabilidades com jeito de gente grande.
Considere sempre que para descobrir o sabor que mais lhe agrada é preciso experimentar vários deles. Não se defenda dessas degustações. Ficar escondido esperando a carreira ideal chegar para então lhe resgatar do marasmo e da insegurança como o emprego ideal existisse, na forma de um príncipe encantado, que chega montado num cavalo branco para resgata a donzela (você, no caso) é uma baita ilusão. Isso simplesmente não existe. É preciso tentar, sentir, sofrer, desistir, recomeçar, sorrir, apanhar, aprender, tentar de novo. Enfim: é preciso viver. Só vivendo a vida com toda a intensidade, sem medo de subir as ladeiras e de chacoalhar nos buracos, é que você vai aprendendo, bem, a viver.