
Toda cerveja é igual? Ora, diante de uma pergunta como esta, é certo que você respondeu com um enfático “não”, né? Ah, bom, pois, desde fórmula aos ingredientes escolhidos e o processo de fabricação, TUDO influencia no resultado final. Mas como se faz uma cerveja perfeita? Bem, isso é segredo, mas nós vamos revelar algumas partes. Vamos lá?! =)
O primeiro passo é ter uma receita em mãos. No site Mestre Cervejeiro, o analista de processos industriais e cervejeiro artesanal, Tiago Silva, ensina a “traduzir” uma receita de cerveja, ou seja, a entender os termos fundamentais para reproduzir o delicioso elixir, que já existia até mesmo na China Neolítica!.
Tiago, que já criou suas próprias receitas, explica que não existe um padrão para escrevê-las, mas há alguns itens e passos que não podem faltar. E aí, vamos aprender algumas dicas de mestre cervejeiro, uma das profissões mais legais do mundo?
Estilo ou variante: diz respeito ao tipo de cerveja que será feita.
Volume: descontadas as perdas esperadas, é o volume final da produção. É comum, em receitas estrangeiras, que a unidade de medida seja expressa em galões.
OG e FG: Original Gravity e Final Gravity estimadas, que significam respectivamente Densidade Inicial (quantidade de extrato que foi extraído do malte) e Densidade Final (quanto sobrou depois de a levedura ter convertido boa parte do extrato inicial em principalmente etanol e CO2).
Amargor (IBU): quão amarga será a cerveja.
Eficiência: quociente entre o quanto de açúcar se extraiu do malte e o quanto era possível extrair. É o resultado da interação entre a receita (principalmente tipos e quantidade relativa de grãos), os equipamentos e o processo.
Fermento (tipo): a levedura tem preferências e comportamentos que variam de acordo com os costumes do grupo do qual faz parte. A escolha do fermento é essencial e, quando incorreto, pode resultar numa cerveja totalmente diferente da proposta pela receita.
Estratégia de fermentação/maturação (temperaturas e tempos): temperaturas de inoculação, fermentação, finalização da fermentação, maturação e lagering são deixadas de lado por alguns cervejeiros, seja por falta de equipamento ou de conhecimento. Acontece que a levedura sente esse descaso, o que leva a um produto desequilibrado, com excessos de compostos indesejados e ausência daqueles que eram desejados.
Maltes (tipos e quantidades): em geral, é um dos primeiros itens de uma receita e se refere aos tipos de grãos/extratos que deverão ser utilizados. Quase toda receita conta com uma parcela de maltes base (geralmente Pilsen ou Pale) e o restante de maltes especiais ou adjuntos.
Lúpulos (tipos, quantidades e tempo de fervura): o importante a observar é qual a variedade do lúpulo, qual o teor de alfa ácido para o cálculo original, a quantidade e em que momento adicionar.
Estratégia de mosturação: os tempos e temperaturas dessa etapa são fundamentais na definição de características como corpo, formação e estabilidade da espuma, níveis de subprodutos da fermentação e turbidez, entre outros.
E aí, quer se aprofundar mais nos mistérios da arte de fazer cerveja? Vale a pena conferir o artigo original, que traz mais informações e fotos. E esta é apenas a sexta parte da série sobre como fazer cerveja. Acompanhe lá e, quem sabe, você se arrisca aí em casa? Por via das dúvidas, mantenha o estoque usual da sua cerveja preferida na geladeira. ;D
ele será publicado.