Por que o caminho de volta sempre parece ser mais curto?
04/07/2011 ÀS 10:27

Você já teve a sensação de que parece demorar uma era geológica para chegar naquele lugar legal que você reservou para suas férias, mas a volta para casa parece ser bem mais rápida? Essa percepção é bem comum, segundo o Dr. Art Markman, cientista cognitivo da Universidade do Texas. Em uma coluna escrita para o site Psychology Today, ele dá uma provável causa para isso.

O Dr. Markman começa sua análise citando um exemplo simples que ele vive com frequência: por ter duas funções na universidade onde leciona e pesquisa, ele tem dois escritórios. Um fica relativamente longe do outro, em lados opostos do campus. Logo, se há uma reunião marcada no outro ponto, ele deve tentar calcular quanto tempo levará para chegar e não precisar ficar lá esperando, perdendo tempo. Mas também não deve se atrasar. Depois de algumas idas e vindas, a viagem se torna óbvia, com trajetória e tempo já estipulados. Nas primeiras vezes, isso não acontecia; ele tinha apenas um palpite. Quais fatores você pode deduzir que influenciavam esse palpite?

Um trabalho dos pesquisadores Priya Raghubir, Vicki Morwitz e Amitav Chakravarti, publicado em abril de 2011 no Journal of Consumer Psychology, chegou a conclusões interessantes. Através de entrevistas com voluntários, eles descobriram que estudantes imaginam que levam, em média, quatro minutos a mais no caminho da casa para a escola do que no caminho contrário. Os responsáveis pediram estimativas de tempo, e a volta sempre era mais curta que a ida. O mesmo aconteceu quando as pessoas eram perguntadas sobre a distância entre suas cidades e outras mais distantes.

Como você conhece o entorno da sua casa, é natural pensar que, mesmo relativamente longe, você ainda está na área da sua casa. Logo, essa área pode ser bem grande e, por isso, demora-se para sair dela. Em contrapartida, você a alcança facilmente na volta. Muito antes de chegar em casa, você já reconhece a região e tem aquela sensação de “estamos chegando”.

Para ter mais comprovação, os autores do estudo entregaram descrições de trajetórias para algumas pessoas que deveriam ir para outra cidade, a muitas horas de distância, e dizer quando consideravam que a viagem já estava bem encaminhada e quando estariam na metade do caminho. Saindo de casa, eles demoravam a perceber que já estavam adiantados, a familiaridade com a região fazia parecer que os primeiros estágios da viagem eram mais longos. Na viagem de volta, era o contrário: quando se começa a chegar a um local conhecido, lá vem aquela velha sensação e parece que a casa está pertinho. No fim das contas, a distância e o tempo gasto eram praticamente os mesmos. Mas a percepção é bem diferente.

É interessante observar que esse mesmo princípio pode ser aplicado a projetos no seu trabalho. Se o início do desenvolvimento é bem familiar, você vai começar a executá-lo bem rápido, por saber quanto tempo será necessário para começar. Se você domina bem o fim do processo, vai ficar confiante o suficiente para começar mais tarde, já que, rapidamente, vai parecer estar no final. Se você já sabe como terminar, tudo fica mais fácil. Concorda? =)

[Psychology Today, via Lifehacker]

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